Síntese 1.2
Aprender com o vídeo e a câmera. Para além das
câmeras, as ideias.
Glauber Rocha, ao cunhar sua famosa frase
"o cinema é uma câmera na mão e uma idéia na cabeça", já
exaustivamente repetida, talvez estivesse também imaginando, como grande
visionário que era, as inúmeras possibilidades de uso de narrativas
audiovisuais que as novas câmeras de vídeo, bem mais amigáveis do que as de
cinema, trariam.
Com uma câmera de vídeo
dentro da sala de aula ou da escola, os alunos, ao criarem seus próprios
produtos audiovisuais, tendem a repetir os modelos massificados que estão
acostumados a ver diariamente nas telas da televisão e, em menor escala, do
cinema.
As escolas podem ser
as oficinas que engendram a nova cultura se professores e alunos aprenderem a
superar as intransigências e compreenderem que:
"a intransigência em relação a tudo
quanto é novo é um dos piores defeitos do homem. E, inversamente, perceber a
realidade pelos meios não convencionais é o que mais intensamente deveria ser
buscado nas universidades [e nas escolas].
Porque isso é capacidade de invenção em estado
puro: cultivar o devaneio, anotar seus sonhos, escrever poesias, criar
imageticamente o roteiro de um filme que ainda vai ser filmado. (...)
Inventividade e tradição mantêm entre si uma relação muito complexa, que nunca
foi constante ao longo do tempo: às vezes foi de oposição e exclusão, outras
vezes foi complementar e estimulante".
(Leonardi, p. 57-58).
Talvez o grande
desafio para a educação na sociedade telemidiática seja justamente o de
estimular a expressão dessa complementaridade que permanece, muitas vezes,
latente entre a educação e as mídias, em especial a televisão, por ser aquela
que, hoje, consegue alcançar o maior número de pessoas e compõe, de igual
maneira, o cotidiano de professores e alunos, supera a hierarquia imposta pela
escola e transforma todos os envolvidos no processo em telespectadores dos
mesmos programas, das mesmas imagens e sons.
A narrativa da televisão é
feita de imagens e sons, mas também de tempo e espaço. A escola está tão preocupada
com sua própria estrutura feita de conteúdos, de grades curriculares, de
seriações, que se esquece de ver e de sentir outras dimensões das coisas, das
narrativas que utiliza, enfim, da própria vida que pulsa dentro e fora dela.
o audiovisual alcança níveis
da percepção humana que outros meios não. E, para o bem ou para o mal, podem se
constituir em fortes elementos de criação e modificação de desejos e de
conhecimentos, superando os conteúdos e os assuntos que os programas pretendem
veicular e que, nas escolas, professores e alunos desejam receber, perceber e,
a partir deles, criar os mecanismos de expansão de suas próprias ideias.
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